MACBETH,William Shakespeare,ATO I,Cena VI
O mesmo
Diante do castelo
Oboés e tochas
Entram Duncan, Malcolm, Donalbain, Banquo, Lennox,
Macduff, Ross, Angus e pessoas do séquito.
DUNCAN - É bela a posição deste castelo. O ar afaga os sentidos delicados por maneira agradável e serena. Os hóspedes do estio, as andorinhas, dos templos familiares, bem demonstram com seus ninhos
mimosos que o celeste hálito aqui cativa com o perfume. Não há sacada, friso, arcobotante, ou favorável canto em que esses pássaros não suspendam seu leito e o berço fértil. Onde eles gostam de viver, notei-o, o ar é mui delicado.
(Entra lady Macbeth.)
Vede! Vede! Nossa hospedeira ilustre! O amor que segue nossos passos, por vezes nos perturba; Mas, sendo amor, agradecemos sempre. Com isso vos ensino a dirigir-nos um "Deus vos recompense" pelos muitos trabalhos que vos damos, e a os incômodos ainda agradecer-nos.
LADY MACBETH - Fossem duplos nossos trabalhos, sob qualquer aspecto, e depois redobrados, ainda foram coisinhas sem valor, se comparados com as honrarias grandes e profundas com que sobrecarrega nossa casa vossa alta majestade pelos velhos benefícios e as honras mais recentes que lhe acrescentastes,
confessamo-nos como vossos devotos.
DUNCAN - E onde o thane de Cawdor se meteu? No encalço dele corremos até aqui, pensando mesmo que de aposentador lhe serviríamos mas ele monta muito bem, e o grande afeto que nos vota, agudo como suas esporas, à sua própria casa o trouxe antes de nós, formosa e digna hospedeira, esta noite ficaremos aqui como vosso hóspede.
LADY MACBETH - A existência tiveram sempre os servos, eles próprios e seus haveres todos como simples depósito ao dispor de Vossa Alteza, pronto a ser devolvido.
DUNCAN - A mão vos tomo; para o meu hospedeiro conduzi-me; temos-lhe grande amor e mostrar-lhe-emos provas ainda mais de nossa graça; Permiti-me, hospedeira.
(Saem.)
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ROMEU E JULIETA, ATO II, Cena VI
O mesmo. Cela de frei Lourenço. Entram frei Lourenço e Romeu.
FREI LOURENÇO - Que o céu sorria para este ato santo, sem que horas tristes venham perturbar-nos.
ROMEU - Amém, amém! Porém que venham quantas tristezas vierem, que apagar não podem a troca de
alegria que sua vista num minuto me dá. Basta que as mãos nos juntes com palavras consagradas; e que a
morte, depois, que o amor devora, faça o que bem quiser. A mim já chega poder chamar-lhe minha.
FREI LOURENÇO - Essas violentas alegrias têm fim também violento, falecendo no triunfo, como a
pólvora e o fogo, que num beijo se consomem. O mel mais delicioso é repugnante por sua própria
delícia, confundindo com seu sabor o paladar mais ávido. Tem, pois, moderação, que o vagaroso, como o
apressado, atrasam-se do pouso.
(Entra Julieta.)
Eis a dama que chega; uns pés tão leves não gastarão jamais a pedra eterna. O amante pode andar por
sobre as teias que no ar balouçam, álacre, do estio, sem, contudo, cair; leve é a vaidade.
JULIETA - Para o meu santo confessor, bom dia.
FREI LOURENÇO - Filha, Romeu por nós vai responder-te.
JULIETA - Ele está nisso incluído; do contrário, longo seria quanto ele dissesse.
ROMEU - Ah! Julieta, se cheia como a minha já estiver a medida de teu gozo, e se possuíres a arte de
enfeitá-lo, o ar ambiente embalsama com teu hálito, deixando que a variada e rica música de tua língua
desdobre a grata imagem da ventura que um do outro recebemos neste encontro feliz.
JULIETA - Mais rico o sentimento em conteúdo do que em palavras, sente-se orgulhoso com a própria
essência, não com os ornamentos. São só os mendigos que contar conseguem quanto dinheiro têm. Mas a
tal ponto meu amor verdadeiro tomou vulto, que a metade, sequer, não me é possível avaliar do que
tenho.
FREI LOURENÇO - Vamos, vamos; simplifiquemos o ato. Aqui, sozinhos, não pretendo deixar-vos um
momento, sem que a Igreja celebre o casamento.
(Saem.)
FREI LOURENÇO - Que o céu sorria para este ato santo, sem que horas tristes venham perturbar-nos.
ROMEU - Amém, amém! Porém que venham quantas tristezas vierem, que apagar não podem a troca de
alegria que sua vista num minuto me dá. Basta que as mãos nos juntes com palavras consagradas; e que a
morte, depois, que o amor devora, faça o que bem quiser. A mim já chega poder chamar-lhe minha.
FREI LOURENÇO - Essas violentas alegrias têm fim também violento, falecendo no triunfo, como a
pólvora e o fogo, que num beijo se consomem. O mel mais delicioso é repugnante por sua própria
delícia, confundindo com seu sabor o paladar mais ávido. Tem, pois, moderação, que o vagaroso, como o
apressado, atrasam-se do pouso.
(Entra Julieta.)
Eis a dama que chega; uns pés tão leves não gastarão jamais a pedra eterna. O amante pode andar por
sobre as teias que no ar balouçam, álacre, do estio, sem, contudo, cair; leve é a vaidade.
JULIETA - Para o meu santo confessor, bom dia.
FREI LOURENÇO - Filha, Romeu por nós vai responder-te.
JULIETA - Ele está nisso incluído; do contrário, longo seria quanto ele dissesse.
ROMEU - Ah! Julieta, se cheia como a minha já estiver a medida de teu gozo, e se possuíres a arte de
enfeitá-lo, o ar ambiente embalsama com teu hálito, deixando que a variada e rica música de tua língua
desdobre a grata imagem da ventura que um do outro recebemos neste encontro feliz.
JULIETA - Mais rico o sentimento em conteúdo do que em palavras, sente-se orgulhoso com a própria
essência, não com os ornamentos. São só os mendigos que contar conseguem quanto dinheiro têm. Mas a
tal ponto meu amor verdadeiro tomou vulto, que a metade, sequer, não me é possível avaliar do que
tenho.
FREI LOURENÇO - Vamos, vamos; simplifiquemos o ato. Aqui, sozinhos, não pretendo deixar-vos um
momento, sem que a Igreja celebre o casamento.
(Saem.)
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